quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O calor e o veraneio

O verão em Porto Alegre sempre foi um dos maiores problemas para os menos abastados, porque os ricos sempre tiveram seus ranchos em Tramandaí, Cidreira e Torres, especialmente aqueles de origem alemã ou italiana.
Entretanto, entre os ricos que não podiam se afastar por muitos dias da capital, dadas as suas atividades, foi crescendo o desejo de aproveitar as belas praias que, próximas a Porto Alegre, circundam o Guaíba. Foi o saudoso Dr. Mário Totta, tristezense de coração, que começou a preparar o terreno e semeou a semente, que tanto progresso trouxe para o nosso bairro. Festas eram organizadas nesse ‘distante arrabalde’ e milhares de pessoas para cá acorriam aos domingos, quando a canícula da cidade era insuportável. O meio de transporte era o vapor e o trem. Foram criados maravilhosos balneários na Tristeza, Pedra Redonda, Leblon, Ipanema, Espírito Santo, Guarujá, Vila Assunção e Belém Novo. Estes balneários não foram privilégio dos ricos, mas ao contrário, da classe média e pobre.
Hoje, com as estradas pacimentadas e os meios de locomoção modernizados, gastamos, para atingir o mar, mesmo tempo que no início do século se gastava para vir da cidade até aqui. Além do mar ser mais agradável, ainda surgiram problemas como nossas praias fluviais, que as autoridades não conseguiram resolver: poluição, implantação de malocas e, mais recentemente, posse pura das bocas de rua que dão acesso às praias: Dr. Mário Totta, Pedra Redonda, Vila Conceição e outras pelo Ipanema.
A POESIA – Qual de nós, na idadew dos 15 aos 20 anos, não sentiu aquele impacto que nasce nas profundezas da alma, ao se deparar solitário no alto de uma colina, provocando uma inspiração poética?, que existe em todo ser humano civilizado, infelizmente, nos dias de hoje tende a desaparecer. A vida atribulada pelos constantes veículos de comunicação estridentes e imorais não deixa tempo para nossa juventude meditar, pensar em temas sadios que enriquecem o espírito e purificam a alma. Os morros que circundam nosso arrabalde sempre foram os preferidos dos poetas, que para cá vinham nos fins de semana. Em nossas crônicas já citamos muitos versos deles.
Existem dezenas ou centenas de poesias inspiradas em nossas colinas e nosso Guaíba, não só feitas por poetas que as publicam, mas principalmente por jovens que escrevem para guardar. Em 1940, nós escrevíamos:
“Lindas ondas que cuspiam
Um rochedo desenhado,
Lindas ondas que vizinham
Um recanto abandonado.
Batem, rebatem e definham,
Musicam como um alado,
Lindas ondas que aninham
Um sonho sempre lembrado.
Vivem sempre, eternamente,
Ondas que pulam e que brilham
Tornam o mundo iluminado.
Fazer nascer incosciente,
Ondas que por dentro banham
Um coração algemado.
(do livro Revelando a Tristeza Vol 2, de Roberto Pellin)

Um comentário:

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