quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Festas de fim de ano

Enfim, mais um final de ano. Não posso deixar de ser saudosista após certa idade. Mas os Natais de minha infância eram bem diferentes destes de agora. Não havia muita correria nem exaustão para chegar às compras. Natal era confraternização e não guerra. Era sagrado. Como o amor em todas as suas manifestações.
Uns quinze dias antes do dia 24 de dezembro, meu pai e eu, corríamos para a esquina para adquirir nossa árvore de Natal. Ali carreteiros vindos da serra, comercializavam pinheiros de vários tamanhos. A árvore era natural. Não era de plástico. Naquela época todo mundo tinha um pinheiro de verdade. Não se falava em desmatamento. Mesmo porque não existia desmatamento desenfreado.
Meu tio Joãozinho, por ser bastante teatral, era sempre o Papai-Noel. Mas ele distribuía mais sorrisos do que presentes.Não lembro de grandes pacotes recebidos nos Natais da minha infância. Mas ganhei presentes significativos e muito esperados. Como minha bicicleta com rodinhas. Para meu aprendizado e equilíbrio. E os vestidinhos acompanhados por chapéus, bolsas e sandálias. Meu pai ensinou que se vestir elegante, era sinal de educação.
Bem visível na minha lembrança, era o passeio que eu dava com meu pai, pelo centro de Porto Alegre. Existia um armazém chamado Riograndense na Av. Alberto Bins com uma vitrine encantadora. Nela um Papai-Noel gesticulava com a famosa varinha de marmelo. Meu pai dizia, que ele só presentearia crianças comportadas. Com a varinha de marmelo bateria nas mais atrevidas. Eu era fascinada pelo espírito daquela vitrine. O Papai-Noel era um compensador do bom comportamento. Um justiceiro. Eu o respeitava.
A mensagem que aprendi na minha infância é que a felicidade independe de muitos presentes e ostentação.E, que a surpresa sempre acontece. Como acontecia com meu pai. Durante as Festas de Fim de Ano ele era sempre surpreendido com a chegada, inesperada e farta,de uma enorme cesta natalina.Que fazia meu pai enaltecer ainda mais, suas amizades.
Foi com meu pai que aprendi a cultivar e respeitar os amigos. Tendo pela vida sempre muito amor, fé e simplicidade. Jesus nos orientou “Amai-vos uns aos outros”. Esse conceito de amor representa a posição que devemos manter. Assim, as comemorações tornam-se inesquecíveis. Assim, a alegria permanece. Na casa de meus pais uma única garrafa de champanhe era sinal de festa. Depois chegava o dia 31, o Ano Novo. E renovavam-se esperanças de dias melhores. Com espaço para aprendizado, alegria e renovação. Feliz Natal e Próspero Ano Novo. (Ana D´ Ávila anadavila@cszonasul.com.br)

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